Ἠλύσιον πέδιον

Ἠλύσιον πέδιον

 

Relato fiel de minhas lembranças. O mais belo campo de aspecto pastoril idealizado em qualquer tentativa de recriá-lo é uma perca infrutífera de tempo, sou pouco afeito a descrições, tirando poucos detalhes que servem para enfatizar algo, acho perca de tempo tentar tecer uma cena em seus aspectos físicos de cenário e considero isso falta de composição emocional e psicológica do personagem, mas como o marionete dessa alegoria sou eu, permitam-me mi esconder atrás de uma cortina, até por que o local magnífico do meu sonho deveria ser a minha visão de paraíso pessoal e contrário aos dois mil anos de educação católica que corre em minhas veias o que eu vi foi um paraíso grego, Ἠλύσιον πέδιον, a sagrada morada de descanso para os augustos, os consagrados para que alguns não tenham que recorrer aos dicionários online, pousada dos poucos dignos escolhidos, local de descanso de Heróis à Deuses, de Santos a Poetas, o contorno levemente ondulado como o abdômen da mulher amada (o sonho é meu, então a mulher é minha, e para os frustrados digo que vão imaginar a mãe de vocês), os mais belos tons de verdes, desde acqua até o esmeralda, compunham a coloração da relva que em nenhum instante observei a mísera mancha de desgaste pelo Cronos, residente permanente que ao contrário de sua existência anterior é um morador discreto, não posso mi esquecer de descrever esta mesma relva como sendo de um aspecto tão macio como a lã de um cordeiro tenro, não mi recordo do início, o ponto de partida das minha observações se passam em uma colina levemente ondulada como um seio perfeito (repito!!! o sonho é meu, então a mulher é minha, e para os frustrados digo que vão imaginar a mãe de vocês) coberta da mesma relva que se observava por todo o horizonte, e como mamilo deste seio (repito três vezes como São Pedro!!! o sonho é meu, então a mulher é minha, e para os frustrados digo que vão imaginar a mãe de vocês) como assim posso dizer, havia uma árvore tão perfeita como o restante da paisagem, de tronco reto e ereto sem mostra de uma única cicatriz como ocorrem em qualquer árvore terrena, a sua copa de modo frondoso era em formato de um cálice invertido, abaixo dos seus ramos se repetia o mesmo que ocorria em todo o local, ausência completa de sombras, nenhuma sombra foi notada, eu estava deitado com os braços mi servindo de travesseiro para erguer a minha cabeça e ficar observando a linda visão daquele horizonte de campos sem fim, se alguém imaginar que por ser gaúcho a minha visão de paraíso seria o pampa mesmo, errou, sou de um local onde os campos de cima da serra terminam, e onde os morros da serra se finda na depressão central, então o pampa não faz parte da minha visão de querência da juventude, mas deixando essa pequena besteira geográfica de lado e mi atendo agora a apresentar meus dois nobres companheiros de prosa naquela tarde sem fim, ambos de modo igualmente deitados ao doce toque daquela relva, e a minha esquerda a nobre Estrela da Manhã, discursando com a paixão e a inconformidade que lhe fora dado depois da traição, e a minha direita מִיכָאֵל, o advogado da resplandescente estrela da manhã, que com a sua fúria repelia qualquer comentário de seu oponente, mas foi algo intimista, como uma boa discussão de se observar, onde a inteligência na escolha certa das palavras era mais importante que o modo que eram ditas, foram horas infindáveis até que a sede se abateu sobre a minha alma e as doces e ansiadas águas do Lete eram o melhor remédio para tudo que houve antes e tudo que existe hoje e enquanto sorvia a água se escutou um brado como um trovão. – “ואשׁמע את־קול אדני אמר את־מי אשׁלח ומי ילך־לנו ואמר הנני שׁלחני”. E cá estou eu contando a verdade do que houve nos Elísios sem revelar nada.

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