Laços de Família

Laços de Família

A mais de um século atrás por todo o estado de São Pedro do Rio Grande do Sul mais de dez mil almas tombaram e um pequeno trecho é narrado aqui. Era uma cálida noite na temperatura e nos corações de todos. A morte belicosamente abraçava todas as famílias gaúchas, e o fogo do círculo do juramento já abrandava após o ritual de pacto ter sido selado, o livro negro que fora retirado de missionários incautos que foram mortos à gaúcha no final da tarde daquele dia estava correto e a alma do jovem curioso foi tomada pelo seu mais profundo medo ao pedir de modo equivocado a solicitação, o jovem Honorato Rodrigues vendera a sua alma suplicando pelo fim da Guerra, e foi atendido, o fim seria abrandado sim, mas pelas suas próprias mãos que agora não pertenciam mais a ele, nem a reles demônio para quem ele deu o seu sangue, mas sim o nunca vencido Beli ya’al. E Honorato Rodrigues que fazia parte de uma simples trupe de maragatos (uma explicação histórica Maragatos: “Na província de León, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes têm o nome de maragatos, e que, segundo alguns, é um povo de costumes condenáveis; pois, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando principalmente animais; são uma espécie de ciganos. “) com a influência dos poderes de Beli ya’al, que o possuiria apenas para passar mais uma temporada de derramamento de sangue aos seu pés, estava subindo rapidamente de patente nas forças do Partido Federalista.

Reza a lenda descrita no livro que conta a História de Boqueirão do Leão que Honorato Rodrigues era o principal degolador das forças na região, a barbárie era tanta que eram apostadas corridas entre os degoladores para ver quem era o mais rápido, e caso algum morto não apresentasse um corte perfeito este era declarado perdedor, mas o “Herói” deste rasgo de história na poeira do tempo nunca precisou disso para vencer, a carreira era sempre vencida por tempo e com todos os cortes parecidos, eram quase cópias, uma sinistra esteira que cirurgicamente ceifava vidas de seus inimigos.

Sem clemência a ninguém, somente mulheres eram poupadas do conflito, a região literalmente foi abandonada pelos homens que se refugiavam dia e noite pela mata, escondidos das incursões a busca de mais combatentes para as suas linhas de suprimento, os “bocha” como eram chamados por muitos, era um serviço não destinado a homens e sim a meninos que eram responsáveis pela guarnição; Alimentos, água, limpeza de “uniformes” dos combatentes. Há várias histórias contadas de famílias que tiveram que serem desfeitas durante o conflito por que os homens desapareceram pela mata, enfiados como tatus em buracos de algum perau ou em cavernas desconhecidas. Os meninos teriam serventia às forças Maragatas, mas os homens feitos, esses se capturados seriam mortos sem desculpas por terem si negado a abraçar a causa. Há fatos que hoje podem parecer pitorescos, como se esconder numa caverna, mas isso de nada tem de pitoresco quando se passa a chaga da fome por dias sem poder sair do seu refúgio e buscar alimento na casa de sua família, e ainda não deve ser muito agradável ao orgulho gaúcho ter um filho vestido de prenda para salva-lo da captura, sim dos males o menor, mas não deve ter sido fácil para o seus egos de centauros do sul. Os cães do inferno – os milicianos que iam as propriedades buscarem suprimentos não si furtavam a retirar dos fornos os pães e batatas ainda quentes que iriam servi alguma família na noite que viria. Quantas rezes foram carneadas apenas para retirar somente os pedaços nobres para sustentar os soldados Federalistas.

Voltando ao nosso “Herói”, o sua maior vitória tática em campo de batalha foi com meia dúzia de homens em uma curva da estrada que passava pela Bela Vista do Fão segurar um regimento inteiro do exercito do Partido Republicano Rio-Grandense. Posicionados abaixo na mata inacessível e com visão limpar para os alvos que não tinham outro acesso senão o rasgo no morro que era a estrada, acima mata fechada que daria apenas acesso ao retorno para o ponto de partida das forças Júlio de Castilhos, abaixo somente a morte, a inclinação íngreme não permitia incursões aos seus algozes que sentados e tragando cigarros de palha faziam pontaria certeira nos alvos de brinquedinho, o numero de mortos foi igual ao numero de balas disparadas, sem feridos, sem prisioneiros, os cães do inferno de Honorato Rodrigues só recuaram quando a sua munição terminou, e na noite de lua nova o exíguo numero de sobreviventes que restou resolveu acampar em uma propriedade mais a frente do ponto de embate.

Os soldados do governo não si comportaram muito diferente dos seus opositores ao chegar à sede da fazenda, mas isso não interessa, acabada a bebedeira pela vergonha pela derrota todos começaram a entoar canções de amores perdidos pela morte, e no intervalo para o dedilhado de um velho violão que acompanhava um dos alferes o brado foi mais alto, mas a sonata descrita das mortes não tardou em silenciar com o tombar de todos, como sombras que si movimentavam os ceifadores de Honorato dizimaram a todos, menos o alferes que foi apenas ferido em sua mão esquerda para não tocares mais pela própria faca maldita que o comandante usava em todas as suas execuções, a lâmina negra por todo o sangue que foi derramado cortou os tendões como si cortasse uma seda. Ao alferes foi dito apenas que retornasse e que enviasse mais ovelhas para o sacrifício.

O conflito si estendeu por anos até o nunca vencido Beli ya’al ser chamado para uma nova incursão de terror a outras terras, mas não sem deixar a sua marca até hoje, a mais bella jovem da região, Sophia DiMariani, foi sua concubina para a extensão da contaminação do sangue humano, os seus descendentes todos carregaram a maldição que afligiu as terras gaúchas por anos, todos assassinos, sem exceções, muitos se espalharam pelo oeste brasileiro conforme iam se instalando os conflitos pela maior dominação das terras devolutas dessas regiões, há um veio dessa família que chegou ao estado do Pará, isso era o que dizia um velho retrato de um parente distante encontrado no baú de fotografias da minha avó. Há muitos “contra censos” e disparidade nos depoimentos e informações.

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