-"Já acabou Querido?".

A Mercedes chegou silenciosamente no sítio de Magiba trazendo dentro de si um casal desesperado e desenganando pela ciência médica, ao volante Fernando suspira tomando força dentro de si para ter coragem de bater a porta da curandeira, cético e descrente de tudo nesse mundo que de tanto pensar ganhou uma geração que preza somente pelo status esbanjado das aparências de sucesso na via profissional e nas redes sociais. O olhar pelo canto de olho para a única pessoal que ele amava, Sophia, sua devotada esposa que após uma gravidez complicada apresentou uma espécie de síndrome que não pode ser explicada e classificada dentro dos manuais médicos ou psicológicos. Um último toque na mão dela antes de sair do carro. Seu ânimo pesou, poderia dizer que foi a alma dele, mas ele não acreditava nessas besteiras. Ao se aproximar da porta do casebre lúgubre perdido nos morros da região um sopro de vento abriu a porta, ao atravessar o arco ele bateu na porta já aberta, chamando pela curandeira, e uma voz serena que só a idade e a tenência dos dias dão o convidou para que entrasse e que não se esquecesse de buscar a sua esposa para tomarem um chá de rosas. Ao voltar com Sophia assim que entraram na porta da sala principal viram uma mesa posta com quatro xícaras de chá servido e bolachinhas caseiras em uma petisqueira ao centro da mesa. A Dona da Casa sentada a cabeceira da mesa imponente de jacarandá apenas falou para que si sentassem e servissem a vontade sem esquecer-se de avisar que o chá já estava adoçado com mel. Enquanto Fernando acomodava a cadeira no sentar de Sophia a velha Senhora com um chamado como se fosse um sussurro chamou alguém virando levemente o seu rosto em direção à cozinha: – "Venha cá Querido!", ao término de si acomodarem nas cadeiras ela pediu que falassem deles, Fernando tomou a palavra dizendo que um grande amigo havia indicado ela, que já haviam feito de tudo e passou longos minutos falando do que acontecia com a sua esposa. Só foi interrompido pela Senhora uma única vez pedindo que Sophia tomasse mais uma xícara de chá, por educação ela seguiu a recomendação, apesar de no íntimo não querer mais nada além de sair daquela casa que estava lhe causando pequenos arrepios em locais diferentes do corpo, e Fernando continuo.

-"Já acabou Querido?". Fernando respondeu que Sim, ela voltando à Odd_Couple_by_CatarsisaDiezface para o marido angustiado pausou um segundo e retirando os óculos escuros que escondiam os seus olhos que ao serem vistos apavoraram o casal que não sabia que a sua anfitriã era cega, e ela seguiu: – “Vão em paz nada mais tenho para fazer que possa ajudá-los, e se um dia encontrarem alguém que precise de minha ajuda só digam para vim mi ver e mais nada. Adeus.". Num misto de perda de tempo e de piedade pela mulher a sua frente os dois saíram sem falar nada. Ao atravessarem a porta dois passos depois mais uma vez uma corrente de vento foi sentida e o barulho da porta que si fechava com ele foi ouvido. Sete dias após esse encontro Sophia havia perdido a cara de doente que apresentava antes e recuperou o brilho do olhar e a cada dia que si passava ela se sentia melhor e sem os sintomas que a síndrome do mesmo modo que apareceu ela se sumiu por completo, baterias de exames foram refeitos e nada aparecera, sua saúde estava recuperada e estava com o seu corpo igual a sua alma naqueles dias, uma verdadeira menina livre. Nunca tocaram no assunto daquela visita, só intimamente pensavam quem seria o tal “Querido”, que não apareceu.

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