A DITADURA EM CUBA E OS TIRANOS NO BRASIL

(Diego Casagrande – 26.02.2013)

A jornalista e blogueira cubana Yoani Sánchez foi embora do Brasil. Próxima parada: República Tcheca. Vai continuar seu giro pelo mundo fazendo o que mais gosta: defendendo a liberdade em seu país, a pequena e simpática ilha caribenha de Cuba. Ao nos visitar pela primeira vez, um velho sonho, conviveu com verdadeiros democratas mas também com sabotadores da democracia. Aqui, esta jovem de longos cabelos negros, dentes imperfeitos e roupas ao melhor estilo bicho-grilo, foi recepcionada por pequenas claques radicais de gente apaixonada por uma ditadura. Pessoas para as quais a liberdade é um caminho para a implantação da tirania. Em um dos locais, no interior da Bahia, Yoani não pôde sequer palestrar. Um grupo pequeno, porém barulhento, invadiu o local e aos berros a impediu. Tanto, que ela passou a ser escoltada por onde quer que fosse. Mas por que esta jovem desperta tanto ódio e medo da tirania e seus tiranos espalhados por aqui?

A tirania dos Castro existe desde 1959. Lá se vão mais de 53 anos. Não que Cuba fosse uma maravilha antes deles. Nunca foi. A América Latina sempre teve sérios problemas de educação, saúde, segurança, etc. Sem falar de uma quase inexistente tradição e apreço pelas liberdades. Neste contexto, inflado pela extinta Guerra Fria, os irmãos tomaram o poder com apoio da também extinta União Soviética. Mantidos a peso de ouro como um importante satélite da locomotiva comunista, que queria um estandarte no continente americano, durante trinta anos o governo recebeu uma mesada bilionária do padrinho. Com uma população pequena e amestrada pelo regime, naturalmente a implantação de políticas públicas sociais tiveram alguns bons efeitos. Tudo isso foi utilizado com maestria pela propaganda dos comunistas e seus seguidores no mundo todo. Com o colapso dos soviéticos a mesada acabou e, Cuba, que pouco produzia além de cana e fumo, rapidamente empobreceu, expondo ao mundo sua outra face: a de um país sem livre iniciativa, sem condições de gerar crescimento econômico e com um povo oprimido por uma ditadura implacável.

Yoani Sánchez desperta as atenções do planeta onde há democracia porque não se cala, não dobra a espinha. Com alguns tuítes de 140 caracteres na internet, ridiculariza os generais que se apropriaram de um dos mais sagrados direitos do homem: o de ser livre. Antes dela houve tentativas igualmente corajosas por lá. Em 2003, o jornalista e poeta Raúl Rivero chegou a ser condenado a 20 anos de prisão em um julgamento sumário por conspiração. Outros 26 foram condenados com ele. Pela pressão internacional conseguiu sair e hoje vive exilado em Madri. Em 2010, o pedreiro e encanador Orlando Zapata morreu no cárcere após uma greve de fome de 80 dias contra a ditadura. Ele havia sido condenado a 30 anos de prisão por exercer a liberdade de pensamento. Existem milhares de casos análogos.

Boa viagem Yoani. E saiba que o Brasil é muito maior e mais digno que estes pequenos tiranos que não levam a democracia a sério. Eles estão dentro do governo Dilma, dentro do PT e alguns outros partidos, e muitos são bancados com dinheiro público. Mas eles não são maioria. São barulhentos e têm muito dinheiro. Mas, felizmente, ainda não aprisionaram irremediavelmente nossas consciências. E nem conseguirão.

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