Encontros e Desencontros

 

Passado cerca de duas semanas a velha rural voltou a fazer o percurso no horário da tarde com seus dois ocupantes, agora em uma tarde fria como se avisasse que viria um inverno rigoroso, chuvisco fraco, porém persistente, mas aquele barulho de motor foi como um raio de sol nos olhos do Professor Guerra que se pusera a porta discretamente em meio a aula a observar, eram os dois que estavam no carro para preencher a pequena esperança de Leonardo de ver a sua Psique nem que por um único instante rápido como um átimo, sem olhar direto para os seus passageiros, apenas observou discretamente com o canto do olho como que negando demonstrar a importância deste fato dentro dele, já em controvérsia a sua saudade havia o desejo de si desfazer de uma esperança impossível e deixar manter vagas lembranças de algo que não aconteceu, mas, sempre há um mas, um pequeno papel quase passou despercebido, voou pela janela do caroneiro quando o carro já dobrara a curva da estrada, teve coragem de sair à porta e observar mais atentamente e notou a leve brisa de inverno ainda o mantinha no ar e ainda bem que a garoa era mínima, apenas o suficiente a manter úmida a terra e o destino final colaborou, si prendera a uma bergamoteira florida, a rotina o prendeu e teve de esperar a aula acabar para buscar o objeto de desejo naquele momento e rezar na proteção do “papel” contra a garoa.

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“Não me esqueço de ti, quero vê-lo, se possível no Domingo após a missa, me encontre na escola. Com carinho Maria.“

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Nem toda a comoção de Goethe a quem era árduo e voraz leitor, nem juntando toda a sua obra em uma vida de trabalho literário idolatrado pelo Professor Leonardo o fez se sentir como naquele momento com aquelas singelas palavras, mesmo estando sozinho naquele campo frio após a saída de todos os alunos e professores e com o cair da noite mesmo insistindo em dizer a ele que estava sozinho e sem ninguém ao lado, nada mais ele necessitava, apenas o simples gesto de afeição de um bilhete sem promessa alguma de amor, o fez renascer e esquecer toda a culpa que sentira após a ausência da professorinha, os dias vazios de culpa auto infligida eram apenas enganos comuns a pessoas esquecidas, tinha ficado para trás o seu remorso.

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A penúria de esperar até o dia e hora marcada foi a sua rotina até o momento que a viu chegando a cavalo acompanhada pela filha de um dos peões, a pequena “negrinha Loreci” como era conhecida na fazenda que raramente pisava na sede, já que está era designada apenas para a Família Medeiros e seus peões e mesmo estes só entravam para sentir todo o julgo do Patriarca, mas a pequena menina foi literalmente elevada ao cargo de dama de companhia da filha do patrão, sendo obrigada a ir onde esta for.

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Explicações e lamúrias foram a troca de palavras até o abrandar da dor e após poucas palavras de carinho e sem maiores intimidades que não poderiam ser feitas, tanto por respeito como por ainda faltar algo, Maria o admirava, era um fascínio novo, ter a sua corte um homem e ainda alguém totalmente diferente de tudo que ela observara na sua vida simples de moça, mas não passava disso um fascínio que de outro lado havia a imagem e desejo de um homem que se perdia na singeleza e simplicidade desta moça.

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Despediram-se com apenas um leve beijo no rosto já que a moça não poderia se ausentar muito e a desculpa usada foi a de um passeio a cavalo até a casa de sua madrinha que ficava mais adiante, não podiam correr o risco de serem visto por que quase provavelmente seriam denunciados imediatamente por qualquer pessoa que os visse.

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Confiante de que as suas decisões estavam sendo respeitadas pela filha como todos os demais da convivência com o “véio” Medeiros, este resolveu que era hora de resolver alguns “problemas” da fazenda na Capital e se ausentou sem preocupações de seu império particular, além do mais a tempo não via a sua concubina em Porto Alegre e os quinze dias de férias da pose de senhor da moral e bons costumes haviam chegado e colocou-se na estrada sem muitas delongas com pressa de devorar os seus desejos omitidos a sua esposa por não conseguir conceber ser casado com uma mulher “indigna” que fizesse na cama os seus gostos reais e ansiava como um garoto descobrindo a vida pelas suas noitadas, mas tudo tem um preço, a porta ficou aberta e convidativa para os meus pais.

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Nem todos os dias foram de encontros, mentira, foram sim, só que às vezes com outros personagem não convidados e que apenas atrapalharam os planos de “namoro” acobertados pela “negrinha Loreci” que calara e consentira em participar discretamente como cúmplice do jovem casal.

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Houve um certo dia que bastou um par de piás brincando de mergulhar em um açude próximo a escola para impedir o encontro da tríade, mas foram mais momento de pura cumplicidade do que de lamento pela decepção do sonho de companhia diária não realizada e o ponto máximo desses encontros era sempre no beijo de afeto de Leonardo no rosto de Maria na despedida.

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